Sábado acordei cedo. 3h30 propriamente. Precisava resolver umas pendengas para a minha banca de qualificação e chegar em São Paulo antes das 11h. Peguei o ônibus das 5h30.
Pra quem calcula 200Km de distância entre a capital do Estado e a cidade litorânea, meu excesso de zelo pode até parecer loucura. No entanto, acostumada a pegar horas de engarrafamento, mais metrô lotado e ônibus atrasado, sei que tomar esse cuidado não foi mero capricho.
Só que era sábado e São Paulo estava irreconhecível. Pelo menos pra mim, que sempre inventei de ir pra lá segunda ou terça-feira, bem no meio do fervo comercial da maior metrópole da America Latina.
No sábado, São Paulo não tem engarrafamento na Marginal Tietê e quando cheguei na rodoviária eram incríveis oito da manhã. “Meia hora de economia”, pensei. Naquele dia, também não tive que esperar cinco trens passarem até conseguir tomar um deles. Havia até onde sentar no vagão.
Da estação Santa Cruz até o ponto de ônibus eu tenho que caminhar por três quarteirões. Incrível, não precisei acotovelar ninguém, tampouco pisotear criancinhas ou atropelar velhinhas. O suficiente pra eu chegar na universidade contente.
Lá era outro lugar que parecia ter dormido até tarde, na preguicinha gostosa de um sábado depois da semana louca de compromissos, tráfego intenso e poluição sonora (a lei Cidade Limpa ainda não deu jeito em buzinas e gente).
Feito tudo o que devia (que incluía atravessar a capital, de metrô, bondão e All Star, rumo à Osasco e à Cidade Universitária só para entregar um documento), resolvi tirar o dia pra mim. Na avenida Paulista, mais surpresas: pessoas sentadas na calçada, de Havaianas, chapéu e óculos de sol; todas conversando, sorrindo, bebendo... Como se aquela não fosse a ‘terra da garoa’, a capital cinza e sem sentimentos de que todos falam.
Fiquei encantada e passeei por lá de norte a sul, ora na calçada do Parque Trianon, ora na do Masp, saboreando com olhos, nariz e ouvidos aquilo que durante a semana não é permitido.
Comprei alguns discos e bugigangas, tomei sorvete, li meio livro e até fiz uns amigos na feirinha de animais que fiz questão de visitar. Coisa de quem não pode ver um cachorrinho que logo quer levar pra casa.
Morta, cheguei em casa quase 24 horas depois de ter saído, com a sensação de que, não fosse segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira, São Paulo seria um lugar perfeito pra morar.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Uma SP que poucos veem
sábado, 18 de julho de 2009
Por uma nova comunicação social
De volta com o blog, a ideia é oferecer aos meus alunos mais um espaço para discussão de textos e ideias.
Estou feliz com a nova fase. Agosto promete ser um grande mês.
Abaixo, texto meu, publicado no Valeparaibano, sobre a queda do diploma de Jornalismo e a crise de nossa profissão. Check it out:
Por uma nova comunicação social
Foi revogada pelo Tribunal de Justiça a obrigatoriedade de se ter diploma para o exercício do Jornalismo. Agora é permitido que qualquer pessoa, formada ou não, apresente programas jornalísticos em rádio ou TV, escreva em periódicos impressos ou, ainda, ‘assine’ conteúdos na internet. No entanto, a notícia que soa como uma bomba especialmente para quem tem nessa oficialização a principal garantia de empregabilidade pode ser, na verdade, a grande saída para uma profissão que, apesar de nova (a primeira escola de Jornalismo criada no Brasil foi a Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, fundada em 1947) é decadente e cheia de vícios.
Antes que eu seja mentalmente apedrejada pelos colegas de profissão, não, eu não estou defendendo a decisão do TJ, muito menos acredito que ‘qualquer um’ possa ser jornalista. Sou, antes de tudo, uma apaixonada por essa carreira e, talvez por isso, consiga ver ‘o lado bom’ onde todo mundo só enxerga desgraça. Mais ou menos como aquela história do grande amor de nossas vidas, sabe? Em que, ao saber que o objeto de desejo na verdade deseja outra, a mulher simplesmente aceita, porque só o que quer mesmo é ver seu amado feliz.
......
Não faz muito tempo que me graduei. A formatura, com todas aquelas pompas e ‘Pescador de Ilusões’ tocando com a turma reunida no centro do salão para nos fazer acreditar que ‘valeu a pena’, foi em 2005. Quatro anos depois, estou a menos de seis meses de conquistar o título de Mestre em Comunicação. Nesse período, tive a oportunidade de estar dos dois lados do balcão da imprensa. De programa esportivo em rádio AM à assessoria de um parlamentar na Assembleia Legislativa de São Paulo (as experiências como intrépida repórter no jornalzinho do colegial não contam para este currículo).
De tudo o que vi e vivi, pude acompanhar com olhos de estudiosa (afinal faculdade, pós e mestrado, um emendado no outro, servem pra isso mesmo) o que hoje poucos tem coragem de admitir: a decadência dos grandes meios de comunicação. Esses mesmos, os ‘poderosos’, capazes de eleger presidentes e depois derrubá-los, de criar conspirações de Estado, de fazer surgir celebridades com muito menos que 15 minutos de fama.
Pois então vejamos: se a tiragem dos ‘jornalões’ não é mais a mesma que nos áureos anos 70 e 80, pegando até parte dos 90; se canais de televisão e emissoras de rádio se proliferam cada vez mais – e se esse número pouco representa se comparado ao do surgimento de sites e portais na internet, blogs, fotologs, twitter, youtube e tantas quantas forem as inovações tecnológicas que a mente humana possa apresentar, o que mais dizer se não que a grande imprensa perdeu seu poder de sincronizar pessoas?
Por sincronizar, de acordo com as teorias da mídia propostas por Harry Pross[1], entende-se ‘fazer todo mundo pensar a mesma coisa ao mesmo tempo’. Hoje, com redações cada vez mais enxutas em decorrência da queda de anunciantes e assinantes[2], bem como com repórteres cada vez menos preparados por uma universidade empenhada em fabricar estereótipos para apresentar o ‘Jornal Nacional’ ou escrever na ‘Folha de São Paulo’, a mídia não tem mais esse poder de arrebanhar, de arrastar com exemplos uma nação. Ao invés de firmarem-se como instâncias fomentadoras do conhecimento, as escolas de Jornalismo tem se limitado a repetir modelos, agora sabidos não tão eficazes, criados pelo e para o mercado e incapazes de repensar sua posição no mundo.
A crítica pode não agradar os ‘puritanos’, esses que acreditam que a versão do jornalista é sempre sinônimo da verdade pura e absoluta; que nós, o ‘Quarto Poder’, desempenhamos papel de fundamental importância para sociedade; que com o que escrevemos somos capazes de mudar o mundo... Falácia hipócrita ou, no mínimo, romântica em tempos de crise. Oras! Bastou a comunidade se dar conta de que uma história tem tantas versões quanto pessoas para contá-las, que uma mídia pasteurizada e hegemônica tal qual hoje conhecemos, que o modelo proposto por Marshal McLuhan[3] deixou de fazer sentido. Tal afirmação passa a ter mais validade ainda quando se percebe que tantos meios alternativos de comunicação tem surgido para mobilizar determinado grupo social.
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Do grafite ao jornal do poste, passando pelos escritos em portas de banheiro de escola e de bares e postos de gasolina de beira de estrada, além da literatura de cordel, das manifestações folclóricas, do teatro de bonecos e até mesmo do artesanato, tudo comunica[4]. No entanto, o que é mais interessante ressaltar, é que essas formas de comunicação carregam consigo a personalidade necessária para suprir carências tão banais como a que a sociedade contemporânea vive atualmente como a do próprio convívio familiar.
E enquanto não for compreendido qual o papel dos produtores de informação nesse novo contexto, uma valorização da profissão não será possível, muito menos uma nova comunicação social. Cabe a nós, jornalistas hoje, bem no olho desse furacão, avaliarmos a posição que ocupamos na sociedade e encontrarmos nosso fio de Ariadne[5] para, assim, descobrirmos como podemos sair desse labirinto que nós mesmos construímos, parede por parede.
[1] Harry Pross escreveu “Medienforschung” (Investigações dos Meios) em 1971 criando uma Teoria da Mídia que abriga, implicitamente, a Teoria da Cultura. A mídia, aquilo que está no meio de qualquer processo comunicativo é produto da cultura humana.
[2] Esses números podem ser consultados em www.direitoacomunicacao.org.br.
[3] McLuhan introduziu as expressões o ‘impacto sensorial’, ‘o meio é a mensagem’ e ‘aldeia global’ como metáforas para a sociedade contemporânea. Segundo ele, Os próprios meios são a causa e o motivo das estruturas sociais.
[4] Sobre o assunto, consultar Luiz Beltrão. O sociólogo foi pioneiro ao afirmar publicamente o potencial comunicativo dos indivíduos às margens da sociedade. Não só isso, ele apresentou uma série de objetos, além de manifestações folclóricas e culturais, que funcionam nitidamente como mídia, substituindo livros, jornais, revistas e meios eletrônicos, na hora de transmitir informações jornalísticas a um determinado grupo.
[5] Conforme a mitologia Teseu, para não se perder no labirinto de Minotauro, recebeu de Ariadne um novelo que deveria desenrolar para encontrar o caminho de volta. Retornando a Atenas levou consigo a princesa.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Muitas coisas aconteceram desde o último post e esse meu diário de mulherzinha talvez não faça mais sentido.
Tenho escrito coisas das quais não tenho vontade de dividir com ninguém, daquelas que eu releio quando tenho vontade, que altero sempre que posso.
Por enquanto, o recesso, o silêncio. Quem sabe eu volto. Quem sabe...

